Revelei outro dia um filme que estava há cinco meses na câmera. Curioso foi ver que havia fotografado lugares pela segunda vez, às vezes quase do mesmo jeito que da primeira vez, sem lembrar das primeiras fotografias. As duas imagens da direita e a primeira na horizontal são do filme revelado agora. Os prédios são a De Beers e o Tokyo International Forum, ambos em Ginza, Tóquio.
sábado, 2 de abril de 2011
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Difícil acreditar que há três semanas estávamos em uma praia, terra de gente de olhos menos puxados, longe de todas as preocupações, livres de todo cansaço, energizados a ponto de não reclamar ao acordar antes de o sol nascer. Desde quando voltamos da Tailândia, numa escapada de uma semana, bem quando o maior terremoto em 150 anos aconteceu, os dias têm sido intensos, nem sempre longos, mas frequentemente cansativos. Como temos brincado, o tsunami que nos atingiu foi o de brasileiros atrás do passaporte novo, do registro de nascimento atrasado e tudo mais que a rotina dizia que era para depois. De repente, a vida parece urgente.
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Omedetou gozaimasu ou Gambate kudasai
Hoje faz uma ano que pisamos na terra do sol nascente.
O clima não é para muitas comemorações, mas com a força desse povo que já sobreviveu a uma bomba nuclear, rezo para que o Japão se torne fênix e renasça das cinzas que hoje ofuscam o nosso futuro.
Gabarimasho!!
segunda-feira, 14 de março de 2011
um sonho
Os recentes acontecimentos no Japão, o maior terremoto nos últimos 140 anos, a maior tragédia no país após a II Guerra Mundial, o tsunami devastador no país do tsunami, o caso ainda mal contado da usina nuclear, a previsão de mais de 10 mil mortos, tudo ofusca a nossa memória das coisas boas que acabamos de viver nessa última semana.
Por uma questão de "timing", de sorte ou de proteção divina - como queiram - eu e Marco não estávamos no Japão quando tudo chacoalhou. Graças a Deus, pois teria sido bem traumatizante - ao que parece, chacolhou muito.
A nossa casa está intacta, mas as notícias na TV, as réplicas constantes registradas pelo app, aquele friozinho na barriga, me tiraram o sono.
Depois de muito tempo, dormi. Dormi e sonhei que estava na Tailândia, numa ilha paradisíaca, de um mar esmeralda (que não parecia um dia ter sido também afetada por um tsunami). Nessa ilha havia um lago interno de águas rasas e cristalinas, cercado de rochas imponentes e uma vegetação ainda intocada. Entrávamos nessa lagoa de caiaque, passando por entre as rochas, apenas levados pela correnteza. Ninguém, só nós dois. Um silêncio tranquilizante e apenas o eco do voo dos pássaros.
Acordei. Era meu inconsciente tentado me proteger de todas essas imagens aterrorizantes. Mas não foi apenas um sonho... só que dessa vez não tem fotos, pois têm coisas que são para ficar apenas na memória.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
O aeroporto e os japoneses
Lembro que quando era criança, sempre que alguém ia viajar, íamos todos ao aeroporto. Para mim, era um momento de ansiedade, desde o momento que via as malas sendo preparadas. Queria eu ir viajar, mesmo que fosse dentro de uma daquelas malas.
O mesmo acontecia quando alguém voltava: íamos ao aeroporto apanhar o viajante. E esperar na porta de saída era uma outra ansiedade, acho que por querer eu também estar saindo dali. Mas reparava que eu não era o único ansioso. Os do lado de cá, aguardando em cada pessoa que saía aqueles que queriam; os do lado de lá, procurando por alguém que os aguardasse. Os abraços e beijos eram intensos, os sorrisos dos mais largos possíveis.
Pois bem, desde de quando entrei para esse meu novo trabalho em 2008, tenho ido muito ao aeroporto, mas não pela razão pela qual sempre quis. Na maioria das vezes continuei do lado dos que aguardavam os que chegavam. Aprendi que, por essência, o aeroporto é o não-lugar, o "qualquer lugar do mundo", o lugar que pouco têm de identidade para nos afirmar onde estamos. As sutilezas, porém, são muitas e, em alguns casos, únicas.
No Japão, aqueles momentos intensos das chegadas que recordo ter visto na infância são os mais singelos imagináveis. Entre os japoneses, mal um olhar mais atento há entre os que aterrisam e os que os esperam. Um abraço, um beijo, coisa raríssima. Pode-se pensar que é frieza. Pode-se pensar que são diferentes. E são.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
deu no uol notícias
Nevou em Nagóia:

É verdade. Eu vi. E, ao contrário do que quer fazer crer aquela mulher e muitas outras japonesas, faz frio.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Japão abaixo de zero
A previsão de neve em Nagóia sempre falha e o visual branquinho passa ao longe. Os sinais de neve nas montanhas no horizonte foi só aumentando a nossa ansiedade de curtir um frio, até que fomos para Nagano passar o feriado de Ano Novo.
Enfim, vidros embaçados, gelo na estrada, neve nos telhados e primeira tentativa de snowboard!! Não preciso nem comentar que o primeiro dia foi um desastre total. Tombos atrás de tombos, enquanto o Marco passava por mim deslizando como se fosse a coisa mais fácil do mundo. E não preciso nem dizer que de noite eu já estava absolutamente quebrada. Mas era 31-12, e nós não iríamos comemorar a virada do ano? Dormimos, colocamos o despertador, acordamos e vimos os fogos da janela do quarto. Foi bem gostoso e bem representativo desse nosso momento aqui no Japão. Apenas senti falta de pular umas ondinhas, mas tudo bem, porque o ano novo foi branquim branquim!
vista do quarto em Nagano
A empolgação com a neve foi tanta que no fim de semana seguinte fomos para Sapporo. Isso sim que foi frio! E não poderíamos deixar de fazer mais uma tentativa no snow! Posso dizer que a neve estava novinha e os tombos foram deliciosos! Sapporo é uma cidade muito bacana, comida excelente, e o que mais nos impressionou é que a cidade inteira fica coberta de neve, ruas e calçadas que se tornam enormes pistas de patinação no gelo, e ninguém parece se afetar muito com isso.
E o melhor: temos até março para curtir o Japão abaixo de zero.
Sapporo negativo
pedala!
fábrica da Sapporo
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Filme revelado, lembranças encontradas
Há muito não escrevemos, havia muito que não revelava um filme. Reflexo do tempo, desses mais de nove meses que se passaram, da relativa rotina que se instaurou, da aquietação do nosso olhar e dos nossos sentimentos, nessa terra que já se tornou a nossa casa, pelo menos por agora. Este momento tem sido bom, tem sido diferente, diferente de antes, de antes de tudo, de antes e do começo, uma sensação de viver o novo sem a ansiedade da extrema novidade, um prazer de viver um estranho, mas conhecido. Mais ou menos como revelar um filme antigo e encontrar memórias, que de certo modo se cristalizam naquela imagem, nova, mas conhecida.
China, agosto
Um morto muito louco em Shirahama, setembro
Kyoto, dezembro
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