sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Nara, 23/11














domingo, 21 de novembro de 2010

Yes, nós temos tosquice

Depois de duas semanas no Brasil-sil-sil, voltamos à terra do Godzilla. A viagem de volta foi destruidora, interminável. Está comprovado: o Japão fica do outro lado do mundo. E foi exatamente esta a percepção que ficou de nossa visita.

O Brasil está tão longe do Japão, que acho difícil falar em diferenças; simplesmente, é outro mundo. O bacana foi curtir esse contraste, que aguçou a minha percepção e também me deixou maravilhado com as coisas mais simples. A diversidade das pessoas, as caras diferentes foram chocantes. Ir à padaria tomar uma média e comer um pão na chapa, ouvindo o pessoal falar de futebol, de que não sou fanático, e o atendente chamando a cliente de "linda" foi incrível. Uma epifania que me custou menos de 3 reais, o que não paga nem o oxigênio no Japão. Mas, certamente influenciado pelos ares nipônicos, a impressão que ficou - à la Très de Marchand - é a de que o Brasil é o lugar da tosquice, lugar para não se levar muito a sério. Para bem, para mal.

Não que tosco seja ruim. Não chega a ser como um colega disse sobre viver em Angola, que bom não é, mas que também não é tão mau assim, ou seja, é uma merda. No nosso caso, só acho mesmo que não dá para nos levar muito a sério. Aí as coisas ficam até divertidas.

A começar pelo aeroporto. Para não ser muito crítico, deixando de lado os comentários sobre as 3 esteiras de bagagem e os nossos agentes de imigração, que são terceirizados, só digo que o banheiro da sala de imigração tem dois mictórios, um dos quais estava quebrado, coberto com um saco plástico de supermercado - é claro, quem é que precisa de dois pra mijar (desculpem-me, moças distintas). A parte boa disto é que não estamos querendo passar uma impressão equivocada àqueles que chegam. Yes, nós temos tosquice.

A catraca do ônibus. Esta crítica não é nem com base nos padrões japoneses - não vi catraca em ônibus nem na China, onde educação não abunda. A catraca chega até ser bonita, belo desenho, mas que é tosco, é tosco. Lixo na rua, bituca de cigarro na calçada, falar alto ao celular, quando não no nextel no viva voz, em público... tosquices nossas de cada dia.

Não sei se também ainda influenciado pelos ares nipônicos, achei tudo muito divertido, ou quase tudo. Sim, às vezes é muito estressante - mas quem mandou levar a sério? Pode beirar a tristeza, mas o tosco pode ser divertido, pode ser leve, libertador. Não se levar a sério é uma atitude que traz leveza. Se é bom para a sociedade, aí já é outra história. Como falava com o João, viva a tosquice! Viva-a!
Saudades de vocês.