sexta-feira, 16 de abril de 2010

se acabó la fiesta

que fim levam as sakuras

De como descobri como falo mal inglês


Gostaríamos muito de começar a fazer exercício regularmente, fazer uma academia, algo do tipo, além dos passeios de bike que temos feito. De um modo, para compensar a comida com que temos nos fartado - a Julia especialmente com chocolate... viva a tpm! Mãe, manda mais ovo de páscoa! Vai que tem um saldão na Koppenhagen...

Então, lá vamos nós atrás de uma academia. Como sempre, tivemos que pedir ajuda para a Beth, secretária no Consulado, pois sem falar japonês a pesquisa fica bem limitada. Frise-se o bem. Endereço na mão, chegamos ao prédio onde fica a academia procurada e nos dirigimos à recepção para perguntar qual dos 23 elevadores deveríamos tomar.

- Sumimasen, Eigo wakarimasu ka? Digo eu, gastando quase todo meu japonês com "Você entende inglês?" para uma das três recepcionistas.
A recepcionista faz cara de assustada, se afasta de mim, como se eu tivesse falado algo de errado, e busca uma das colegas que fala inglês.
- Hai!
- Please, we are looking for the gim. How do we make to get there?
- ... Cara de interrogação por parte dela.
- Yes, gim, gim, gimo, reforço eu, somando agora uma pequena mímica, fazendo muque.
- Aaahhh, Gimo! Gimo! Hay! Gimo. Com cara de "você realmente fala inglês?! Hã, gim? Onde já se viu? É cada um que me aparece..." E prosseguiu - 8th floor, elevator there.
- Arigatou gozaimasu! respondemos e saímos. Rindo. Gimo, claro. E eu besta achando que era gim...

domingo, 11 de abril de 2010

tokoname

No sábado, o Marco teve que trabalhar no consulado itinerante, e lá fui eu para Tokoname à convite da Inasan. Ela merecia um post à parte, mas apenas para nossos amigos leitores não ficarem perdidos, devo dizer que é uma japonesa muito receptiva, que adora estrangeiros e já se auto denominou minha "hostmother" aqui no Japão. Uma pessoa especial.

Tokoname é uma cidadezinha pequena, que fica no caminho do aeroporto, famosa pela cerâmica. Como indicado pela Inasan, peguei o Meitetsu às 10:01, que chega em Tokonome às 10:32. Pontualmente, lá estava Inasan na estação me esperando. A programação cuidadosamente preparada por ela era intensa.



Esse fim de semana foi de festa em Tokoname. Matsuri é um festival curioso, que tem um quê de Carnaval. Cada grupo tem um Matsuri Dashi (eu não tenho certeza se é assim que escreve) que é montado todos os anos para este festival que ocorre na primavera. Os carros são em madeira, lindíssimos, todos ornamentandos. São puxados por cordas gigantes, por crianças, jovens e adultos. Todos se fantasiam e usam seus "happycoats". Os carros são puxados e param em frente as casas mais ricas da cidade. Eles cantam músicas para trazer felicidade e saúde por todo o ano; em troca, ganham dinheito para a manutenção do carros para o ano seguinte.

À tarde, fui à minha primeira aula de cerâmica. De cara já curti o lugar: a escola-galeria é uma delícia e tem um clima super positivo. Apesar das dificuldades de comunicação com o professor japonês, a aula foi ótima. Deu para relaxar um pouco e acho que minhas habilidades manuais evoluíram um pouquinho. Olha só esse primeiro pote que fiz à esquerda - que desastre...

Tudo parece muito simples, mas para os marinheiros de primeira viagem como eu dá uma canseira...

Após a aula fui para a casa da Inasan. Tomamos chá e começamos a fazer o jantar juntas. Foi ótimo, pois aprendi a usar alguns ingredientes muito comuns por aqui. O jantar foi uma delícia. Eu, ela e o marido ficamos conversando bastante. São pessoas muito interessantes que também adoram conhecer realidades diferentes.

Às 21:21 peguei o trem para Nagoya e cheguei aqui, como previsto, exatamente às 21:54exausta...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

de samurai a sushiman



Este é o dono e sushiman do Maneki, um restaurante de sushi perto do Consulado, que fica instalado na própria casa dele. Maneki é o nome dado àquele gato de mão levantada, que é um símbolo da sorte no Japão, um símbolo do "come, come, client"... e aquele Maneki ali acima do balcão tem somente 140 anos. Isto foi quando a família dele passou da tradição de samurais para a de sushimen, isto foi quando os samurais foram proibidos no Japão, durante a modernização do Japão na era Meiji. O restaurante tem duas mesas, um balcão, ele prepara a comida, a esposa serve. Tudo delicioso e caprichado. Não precisa de mais nada. E ainda por cima o cara é praticamente o Aldemir Martins japonês, vide seu quadro do Maneki...

Detalhe para a imagem de Shiva acima do quadro. Típico do sincretismo religioso japa.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Wild Hanami Party



Com o que você pode se deparar no seu pic-nic japonês...

domingo, 4 de abril de 2010

páscoa ecumênica


Sexta-feira foi dia absolutamente normal por aqui. Trabalhamos, e muito! Como era de se imaginar, a Páscoa passa totalmente desapercebida no Japão. Não se vê nem um ovinho para vender nas depatos e combinis. Para manter a nossa tradição, decidimos fazer um domingo diferente. Fizemos uma páscoa em 3 etapas e não deixamos de aproveitar o Hanami - tradição japonesa de observar as cerejeiras em flor.

Para começar o domingo e entrar no clima de páscoa, decidimos ir a uma missa. Encontramos uma missa em inglês não muito longe daqui. O lugar não parece em nada com uma igreja no Brasil, mas a missa estava surpreendentemente lotada. Só expats, como dizem. Pronto. Eu já estava satisfeita, pois alguma coisa existia para nos lembrar da Páscoa e me fazer sentir mais perto do meu país.


Saímos da missa pedalando e passamos por lugares lindíssimos cheios de cerejeiras floridas. No caminho, cruzamos com um templo budista onde estava acontecendo uma espécie de quermesse. Um monte de barraquinhas de comidas e de brincadeira de criança em meio às flores. Isso que é tradição nessa época para os japoneses: celebrar a primavera e aproveitar o Hanami. Decidimos compartilhar com eles também esse momento e paramos para um Yaki niku e uma cerveja, com direito a sentar embaixo das árvores e tirar o sapato...


Após o stop no templo, partimos para o pic-nic com direito a ovo de páscoa - enviado diretamente do Brasil pela Neuza - que havíamos programado. Nos perdemos um pouco, mas chegamos ao parque Tsurumai. Obviamente, o parque já estava super super cheio e não tinha sobrado nenhuma sombra de cerejeira para nós dois. Encontramos um lugar gostoso de todo o jeito e estendemos nossa lona azul - igual a de todos os japoneses. Sentamos perto de um grupo que estava tocando um Jazz delicioso. Ouvimos até Garota de Ipanema. A tarde foi incrível. Comemos bem, tomamos vinho, comemos ovo de páscoa e curtimos o astral gostoso do parque. Os japoneses ficam muito animados nessa época e contagiam a todos.


Para não falarem que é só sobre comida


Ontem, sábado, fomos a uma cidade chamada Inuyama (Montanha do Cachorro), onde há o mais antigo Castelo intacto do Japão, construído lá por 1530. A meia hora
de trem daqui, a cidadezinha é repleta de cerejeiras e foi isto que mais queríamos ver. Pelo jeito, nós e a torcida do Flamengo, ou melhor, do NagoyaGrampus. Estava ocorrendo uma festa anual, com milhares de pessoas, de carros alegóricos e, claro, de comida!

Mil tipos de comida, de pepino cru a polvo na chapa, passando por crepe, salsichão, frango frito, peixe seco, batata doce frita, e também algumas combinações meio duvidosas, como uma tortilla cheia de repolho (repolho faz sucesso aqui) coberta por um ovo frito - só falta feijão para completar a bomba...

A comida é realmente uma atração à parte. Mas são as cerejeiras e o castelo que fazem mesmo a visita. O castelo é relativamente pequeno e bem preservado. Tiram-se os sapatos para entrar e subir até o topo, de onde se pode ver bem a região e o rio que passa ao lado. Tirando a construção em si, não há muito o que se ver; quase nada das pinturas e objetos do castelo restaram para contar a história. Só a beleza do lugar mesmo. Não dá pra reclamar.

sábado, 3 de abril de 2010

Yaki Niku

Ontem fomos a um restaurante de Yaki Niku (em japonês, carne grelhada) quase aqui em frente de casa. São aqueles em que há uma grelha na sua frente, para você mesmo preparar a comida. Sempre que passávamos em frente, este lugar estava cheio de gente, exalando um cheiro delicioso. Até pensávamos que seria daqueles lugares para sair completamente defumado, e fomos preparados para isso, depois do trabalho, com a roupa que irá na segunda para a lavanderia. Mas para nossa surpresa e alegria, não; até que não ficamos perfumados à carne grelhada. E o povo que sempre lota o lugar não estava ali por acaso. A comida é ótima, os garçons muito legais, o lugar super bacana. Comemos carne de boi, um corte nunca visto antes, super gorduroso e, claro, super saboroso, e também frango. Vem tudo cru, você grelha um pouquinho, mergulha em um molho à parte, coloca um pouco de shoyu, espreme um pedaço de lima, adiciona uma cebolinha picada e aí manda ver. E nada de arroz! Só uma saladinha para acompanhar. Viu só que injustiça?

. . . . .

"For relaxing times..."



Como diria Bill Murray: "For relaxing times, Suntory times"

quinta-feira, 1 de abril de 2010

pedala!

Já que estão nos acusando de comilões, devo dizer que outro aspecto muito curioso da vida por aqui são as bikes. Já aderimos ao estilo para compensar a comida....

Se você aprendeu no Brasil que lugar de bicicleta é na rua, disputando um lugar com os carros, esqueça: as bikes aqui dominam as calçadas. Todo mundo pedala. Todo mundo mesmo, do mais lock até aquela senhorinha japonesa toda enrugada que sai com a bolsa na cestinha e o guarda-chuva.

As calçadas dos bairros mais movimentados, como Sakae, ficam absolutamente lotadas. Bikes estacionadas e bikes tentando driblar os pedestres. Obviamente, não aguentamos esperar as nossas bikes chegarem com a mudança e já compramos uma. Saímos da loja pedalando e fomos jantar numa sexta-feira à noite. A parte boa é que deu para bebermos uma garrafa de vinho toda, sem bafômetro.