A história começou há mais de um mês. Preocupados com a antecipação nipônica para a programação de férias e feriados, resolvemos começar a pensar para onde ir neste feriado de 19 de julho, dia do mar. Passagens caríssimas, hotéis mais caros ainda... assim é querer viajar pelo Japão no feriado.
Conversa vai, conversa vem, alguém do Consulado comentou da experiência de subir o Fuji-san no verão. Taí, pensei: vamos subir o Monte Fuji!! Marco rapidamente acatou a ideia. Arregimentamos mais alguns amigos e lá fomos nós iniciar os preparativos. Uma bota de escalada para a Júlia, uma mochila nova para o Marco, umas garrafinhas de oxigênio, uns cobertores isolantes, 2 capas de chuva, um pole de trekking, roupa de frio, uma lanterninha de cabeça... e a brincadeira já estava ficando cara, tão cara quanto comprar um pacote de feriado nipônico. Mas, escalar o Fuji-san... não tem preço.
Chegou o dia combinado. Estranhamente, tudo já arrumado e pronto antes do horário previsto. Partimos, então, para a estação para almoçar alguma coisa e pegar o nosso trem que saía às 13h33, com tempo suficiente para pegarmos o ônibus das 15h20 que nos levaria ao início da escalada.
Ainda na porta de casa, o Marco comenta que estranhava que a sua velha bota de trekking estava um pouco apertada. Teria seu pé crescido? Começamos a caminhar para a estação e noto que a sola do tênis do Marco estava se desfazendo... ixi... será que vai dar para subir o Fuji assim? Acho que sim, qualquer coisa, compro um "teipu" para colocar na sola, diz o Marco.
Continuamos caminhando e percebemos que a sola estava toda solta... e cada vez a situação ia piorando. Então, decidimos procurar uma bota de trekking para comprar. Desistimos de almoçar e começamos à busca entre as 1.435.234.078.654 lojas da estação de Nagóia. O horário ia apertando, começou a rolar aquela tensão no ar. Não podíamos perder aquele trem, se não, não chegaríamos a tempo. Eu não queria acreditar que, depois de todos os preparativos, nossa "expedição Monte Fuji 2010" ia por água abaixo, antes mesmo de ter começado. Por alguns segundos tive aquela vontadezinha de esguelar o Marco, que insistia em comprar um "teipu" e ir com o tênis daquele jeito. Mas olhei para a cara dele e vi como estava aflito também. Afinal de contas, quem iria imaginar a necessidade de provar com antecedência um tênis já "velho de guerra"?...
O que tínhamos que fazer era arrumar um tênis novo. "Marco, nós vamos comprar um tênis para você agora. Eu não subo o Monte Fuji com você com um tênis desse jeito." Pronto: deu-se a largada do "amazing race". Perguntávamos aqui e ali, apontávamos para a minha bota para ver se entendiam o que queríamos, e nada... os funcionários indicavam um andar ou uma direção, lá íamos nós, e nada... Depois de subir e descer escadas rolantes, atropelar uns aqui outros ali, uma atendente finalmente nos deu uma luz: no subsolo da estação tinham lojas da North Face e da Columbia.
Lá fomos nós atrás dessas lojas naqueles subsolos infinitos. Achamos as lojas, nos dividimos procurando os modelos e preços e pronto: achamos a bota que precisávamos na numeração do Marco. Compramos a bota, largamos a velha na loja, subimos as escadas rolantes correndo, compramos as passagens e entramos correndo no trem. Ufa!
Tinha que ter acontecido algum imprevisto. Estava tudo muito previamente arrumadinho de mais para uma programação de Marco e Júlia.
Já estávamos suando.
5 comentários:
Julia, vou esperar o final pra ver o que mais vem por ai!!!!!! Depois faço os comentários pertinentes.
Vcs tiraram fotos ou esqueceram a máquina? Beijos, Vó
Tô esperando ansiosa a parte II, III, IV,......., XXV.
Beijocas, Ninete
E aí, o tenis velho ficou na loja ou foi levado, numa última homenagem, para ser sepultado aos pés do Fuji-san?
Trilhas e Thriller...
Bjs,
Antonio Sérgio
Jú, panela velha pode fazer comida boa, mas tênis velho não aguenta nem o Pico do Jaraguá! Adoro as suas aventuras nipônicas! bjs Paula
lembrei daquela vez em Bariloche, Marco. Você com sua bota impermeável e tal e eu com um tenis fuleiro congelando o pé...
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