A corrida pela bota já tinha sido uma aventura e tanto. Entrar no trem às 13h33 depois de ter conseguido conquistar um novo par de botas às pressas já era uma recompensa. O que viesse depois ia ser fichinha... afinal, se nosso colegua de trabalho, bem parrudo e com uma barriga prá lá de calejada havia chegado ao cume, nós é que não ficaríamos no meio do caminho. hãrrã. Mal sabíamos o que nos esperava.
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Após o trem, tomamos um ônibus, que atravessou as nuvens e nos levou até a 5ª estação da trilha Fujinomiya, a cerca de 2400ms de altitude. Um pouco de descanso, de adaptação a altitude, para começarmos a subir às 19h06 - bem à moda japonesa. Escurecia. A lua crescente dava o tom da noite, subindo conosco sua trilha no horizonte. A cena noturna era incrível. Silhuetas humanas à luz da lua caminhando acima das nuvens. Aos poucos as lanternas de cabeça se acendiam e ascendiam, formando constelações humanas noite adentro. Algumas poucas pessoas faziam o caminho de volta e nos saudavam com um konichiwa e às vezes com um gambate!, o adorado mote japonês de estímulo e coragem. Assim seguimos, dizendo para nós mesmos gambate! a cada vez que o cansaço apertava, que o fôlego ficava para trás e que o frio e o sono apertavam cada vez mais.
Parando de estação em estação - seriam mais sete até o cume -, dando uma cochilada de vez em quando, comendo um snack aqui e outro ali e injetando pulmão adentro com nossas latas de oxigênio, chegamos cansados e contentes ao topo por volta das três e pouco da madrugada. Com um frio de lascar, um breu danado e o restaurante de lamem, onde supostamente faríamos nossa refeição, fechado, fomos procurar um bom lugar para ver o sol nascer.
Sem conseguir subir nem mais que uma pedra de 20 cm, apontamos para o leste e nos recostamos num canto alto, perto de onde uma ou outra pessoa já haviam acampado. Debaixo do nosso cobertor de alumínio, rezamos para o vento aquietar, para o sol nascer o mais rápido possível ou quem sabe para que uma lavazinha que fosse aparecesse por ali para nos esquentar. Dos 30º e tantos graus de Nagóia passamos para uns 0º tranquilamente. E, não sei se devido às nossas preces, o sol aos poucos nasceu para nossa alegria. Demorou, mas nasceu.
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Com a luz, vimos que as poucas pessoas que estavam ali quando chegamos, passaram a ser centenas. Diferente não poderia ser, afinal isso aqui é o Japão e gente é que não falta. Vimos também nosso caminho de volta, pelo qual não aguentávamos mais esperar. Passamos pela cratera e seguimos caminho. E aí é que o pior nos esperava. Fazer o caminho de volta foi simplesmente destruidor. No começo estávamos achando baba. A trilha de volta bem menos íngreme nos fez pensar que rapidamente estaríamos lá embaixo para tomar o ônibus de volta. Mais uma ilusão. Pernas cansadas, sol apertando, fome também. Cadê o meu lamem?! e a cada esquina que dobrávamos víamos que o fim não chegava nunca. Resumindo a história, caminhamos, ou melhor, nos arrastamos até 5ª estação em mais ou menos 5 horas, para nossa sorte tomarmos o último ônibus da manhã, às 10h51 em edição extraordinária - o próximo seria só às 15h30. Chegamos em casa por volta das 16hs acabados, prontos para dormir, aí sim, sem paradas até o dia seguinte. Ufa. Sem dúvida foi inesquecível, mas para mim nunca mais! Agora eu entendo porque dizem que é o tipo da coisa para se fazer uma vez na vida... rs Se alguém quiser uma boa dica sobre o Monte Fuji, há uma porção de hotéis com ofurô à beira de um lago, com vista para a montanha que são um beleza...